Os efeitos do El Niño no agronegócio brasileiro: como o clima reforça a importância da armazenagem de grãos

armco_Os efeitos do El Niño no agronegócio brasileiro: como o clima reforça a importância da armazenagem de grãos

Quem trabalha no agronegócio sabe que acompanhar o clima faz parte da rotina. A distribuição das chuvas, as ondas de calor e as mudanças de temperatura influenciam diretamente o calendário de plantio, a produtividade das lavouras e até o momento ideal para comercializar a produção.

Por isso, a previsão de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 vem sendo acompanhada com atenção por produtores, cooperativas e agroindústrias. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), existe cerca de 82% de probabilidade de o fenômeno se desenvolver ainda este ano, enquanto a NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, também aponta alta probabilidade de sua permanência até o início de 2027.

Embora seus efeitos variem entre as regiões do país, o histórico mostra que eventos intensos de El Niño costumam alterar o regime de chuvas, provocar períodos de seca ou excesso de precipitação e gerar impactos que vão muito além da lavoura. A logística, a qualidade dos grãos e a infraestrutura de armazenagem também passam a exercer um papel decisivo para reduzir perdas e garantir a competitividade da produção.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, seus efeitos costumam variar conforme a região:

  • Sul: maior volume de chuvas, temporais e enchentes;
  • Centro-Oeste e Sudeste: irregularidade das precipitações e ondas de calor;
  • Norte e Nordeste: estiagens prolongadas, redução das chuvas e aumento do risco de queimadas.

Essa combinação interfere diretamente no desempenho das principais culturas agrícolas e exige um planejamento ainda mais criterioso da produção e da pós-colheita.

Como o El Niño afeta as principais culturas agrícolas

Os impactos do El Niño não são iguais para todas as culturas nem para todas as regiões. O momento em que a seca ou o excesso de chuvas ocorre durante o ciclo produtivo pode determinar o potencial de produtividade da safra.

Soja: atraso no plantio e perdas de produtividade

A soja é a principal commodity agrícola brasileira e uma das culturas mais sensíveis à distribuição das chuvas.

Na safra 2023/24, marcada pelos efeitos do El Niño, a irregularidade das precipitações e as altas temperaturas provocaram perdas importantes em estados do Centro-Oeste e do Matopiba. A produção brasileira de grãos ficou em torno de 299 milhões de toneladas, cerca de 21 milhões de toneladas abaixo da safra anterior, tendo a deficiência hídrica como um dos principais fatores para essa redução.

Para a safra 2025/26, o cenário é de recuperação. A Conab projeta uma produção superior a 175 milhões de toneladas de soja, consolidando novamente o Brasil como líder mundial da cultura. Isso torna o monitoramento climático ainda mais importante, já que qualquer alteração nas condições meteorológicas pode afetar uma cadeia responsável por parcela significativa das exportações brasileiras.

Outro efeito frequente do El Niño é o atraso no início das chuvas. Quando isso acontece, o plantio da soja é postergado e todo o calendário agrícola da propriedade acaba sendo deslocado.

Milho: impactos chegam até a segunda safra

Poucas culturas sentem tanto os reflexos desse atraso quanto o milho.

Como grande parte da segunda safra é semeada logo após a colheita da soja, qualquer mudança no calendário reduz a janela ideal de plantio. Com isso, a cultura fica mais exposta ao calor intenso e ao déficit hídrico durante seu desenvolvimento.

Segundo o IBGE, a produção brasileira de milho em 2026 está estimada em aproximadamente 134 milhões de toneladas, sendo cerca de 105 milhões de toneladas provenientes da segunda safra, justamente a mais vulnerável às alterações climáticas. (IBGE)

Além das perdas de produtividade, chuvas durante a colheita elevam a umidade dos grãos, aumentam a necessidade de secagem e exigem maior capacidade de armazenagem para preservar sua qualidade.

Café: impactos podem durar mais de uma safra

No café, os efeitos do El Niño costumam ser percebidos por um período mais longo.

Temperaturas elevadas e estiagens prolongadas podem comprometer a florada, reduzir o pegamento dos frutos e afetar o enchimento dos grãos. Em sentido contrário, chuvas excessivas durante a colheita favorecem a fermentação, aumentam a incidência de fungos e reduzem a qualidade da bebida.

Como se trata de uma cultura perene, parte desses impactos pode refletir também nas safras seguintes, tornando a infraestrutura de secagem e armazenagem ainda mais importante para preservar o valor comercial da produção.

Arroz e trigo: excesso de chuvas aumenta perdas

No Sul do país, onde o El Niño normalmente intensifica as chuvas, culturas como arroz e trigo enfrentam desafios distintos.

O excesso de umidade dificulta a entrada de máquinas nas lavouras, favorece doenças fúngicas e compromete a qualidade dos grãos. Após a colheita, o armazenamento adequado torna-se fundamental para evitar deterioração, perda de peso e redução do valor de comercialização.

Os impactos vão além da lavoura

Os efeitos do El Niño não terminam quando a colheita é concluída.

A redução do nível dos rios pode comprometer o transporte hidroviário na Região Norte. No Sul, o excesso de chuvas dificulta o escoamento da produção. Em diferentes regiões, atrasos logísticos elevam os custos de transporte e aumentam o tempo de permanência dos grãos nas propriedades.

Em cenários como esse, preservar a qualidade da produção passa a depender diretamente da eficiência da infraestrutura de pós-colheita.

A armazenagem torna-se uma estratégia de gestão de riscos

Quando eventos climáticos extremos alteram o calendário agrícola, uma estrutura de armazenagem eficiente deixa de ser apenas uma vantagem operacional e passa a representar uma estratégia para reduzir riscos.

Uma unidade bem dimensionada permite:

  • preservar a qualidade dos grãos;
  • reduzir perdas pós-colheita;
  • controlar temperatura e umidade;
  • evitar comercialização forçada durante períodos de excesso de oferta;
  • organizar melhor o fluxo logístico da propriedade.

Segundo pesquisadores da Embrapa, o Brasil ainda apresenta um déficit superior a 115 milhões de toneladas de capacidade estática de armazenagem, realidade que se torna ainda mais desafiadora em anos de instabilidade climática.

Conclusão

O El Niño reforça uma realidade que o agronegócio brasileiro conhece bem: produzir mais é apenas parte do desafio. Tão importante quanto alcançar altos índices de produtividade é garantir que essa produção chegue ao mercado com qualidade e no momento mais adequado.

À medida que os eventos climáticos se tornam mais frequentes e intensos, planejamento, tecnologia e infraestrutura passam a exercer um papel cada vez mais estratégico. Investir em armazenagem não significa apenas ampliar a capacidade de estocagem, mas fortalecer a resiliência da operação, reduzir perdas e aumentar a competitividade em um cenário agrícola cada vez mais desafiador.

Conheça as soluções da Armco Staco

A Armco Staco desenvolve soluções em silos metálicos e estruturas para armazenagem de grãos que contribuem para uma operação mais eficiente, segura e preparada para enfrentar os desafios impostos pelas variações climáticas.

Compartilhe

Mais artigos interessantes

armco_Sistemas Armco Staco

Sistemas Armco Staco

Engenharia desenvolvida para entregar desempenho real à sinalização e à segurança viária no Brasil Quem projeta, executa e administra uma

Leia mais